O Contexto da Violência em Ambientes de Saúde
Recentemente, a situação de violência no ambiente de saúde ganhou destaque, especialmente nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Em um caso ocorrido na madrugada do dia 19 de janeiro, duas técnicas de enfermagem foram agredidas dentro da Unidade de Pronto Atendimento 24 horas Francisco de Medeiros, situada no bairro Jardim do Bosque, em Cachoeirinha.
As Circunstâncias da Agressão
De acordo com informações do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS), duas pacientes que buscaram atendimento na UPA se envolveram em um conflito ao receber atenção da equipe de enfermagem. A situação escalou rapidamente para um confronto físico, resultando em agressões contra uma técnica de enfermagem. Uma segunda profissional interveio para ajudar a colega, mas também foi vítima de violência. Por conta dos acontecimentos, ambas as profissionais foram afastadas de suas funções por um período de 30 dias.
Denúncias e Ações Legais
Após o incidente, no dia 20 de janeiro, o Coren-RS recebeu diversas denúncias relatando episódios de violência na UPA, incluindo o ocorrido na madrugada anterior. Em resposta, foram registradas queixas formais junto à polícia, e um inquérito foi aberto para investigar os fatos. Imagens obtidas através de câmeras de segurança da unidade também foram encaminhadas para análise pela Polícia Civil.

Demandas por Segurança
O Coren-RS tomou medidas imediatas ao enviar um ofício à Secretaria Municipal de Saúde de Cachoeirinha, solicitando uma reunião para discutir melhorias na segurança dos profissionais de saúde que atuam na UPA e exigir ações efetivas para a prevenção de novos episódios de violência.
Reuniões e Propostas
Representantes do Coren-RS visitaram a UPA em 22 de janeiro para uma reunião institucional. O encontro contou com a presença do presidente do Coren-RS, enfermeiro Antônio Tolla, e do conselheiro técnico de Enfermagem, Edgar Vagner Moraes, que fazem parte da Comissão Interna de Prevenção à Violência no Trabalho na Enfermagem. Durante a visita, eles conversaram com a enfermeira responsável pela unidade, Carla Baptista, e o diretor-geral, Luis Carlos Boric.
A Situação da Vigilância
Conforme informado pela administração da UPA, a entrada é livre para o público, o que implica na falta de um controle de acesso rigoroso, como a presença de portaria ou vigilância interna. A Guarda Municipal realiza apenas a proteção do patrimônio, mas não se envolve em situações de conflito entre usuários e a equipe de saúde.
Relatos de Ameaças
Durante a visita dos representantes do Coren-RS, foram ouvidos relatos de profissionais de enfermagem sobre ameaças, intimidações e coações verbais frequentes, evidenciando uma preocupante realidade de insegurança no trabalho.
Iniciativas do Coren-RS contra a Violência
Combater a violência contra os profissionais de enfermagem é uma das prioridades do Coren-RS. Em 2025, foi lançada a campanha “Basta de Violência na Enfermagem”, que inclui a plataforma digital “Observatório da Violência na Enfermagem”, um espaço destinado ao registro e monitoramento de casos de violência enfrentados por esses trabalhadores.
A Necessidade de Consciência Coletiva
A violência no ambiente de saúde não pode ser tolerada. A conscientização da sociedade sobre a importância do respeito e da segurança no atendimento é fundamental. As agressões a profissionais de saúde não são apenas um ataque a indivíduos, mas um atentado ao funcionamento do sistema de saúde como um todo.
Estratégias para Proteger os Profissionais de Saúde
Para melhorar a segurança nas unidades de saúde, algumas medidas podem ser implementadas:
- Treinamento em Gestão de Conflitos: Capacitar a equipe de saúde para lidar com situações de conflito e agressão.
- Sistemas de Alerta: Implementar sistemas de alerta rápido que possam chamar a segurança em situações de emergência.
- Aumento de Presença de Vigilância: Ter segurança interna nas unidades, especialmente em áreas de maior risco.
- Procedimentos de Documentação: Estabelecer processos claros para documentar e reportar incidentes de violência.
O Papel da Comunidade
A sociedade deve se unir para apoiar os profissionais de saúde e promover um ambiente mais seguro. Campanhas públicas e programas educativos podem ajudar a conscientizar a população sobre a importância do respeito e da proteção dos trabalhadores da saúde.
A Importância do Acompanhamento das Ações
As ações implementadas devem ser regularmente monitoradas e avaliadas para garantir a eficácia. A participação de profissionais de saúde na criação de políticas de segurança é essencial para que essas medidas sejam relevantes e eficazes.
Conclusão
A proteção dos trabalhadores de saúde é uma responsabilidade coletiva. A violência não deve ser parte da rotina nas unidades de saúde, e a busca por soluções deve ser contínua. Juntos, profissionais de saúde, gestores e a comunidade podem construir um ambiente mais seguro e acolhedor.

