Nova estratégia da defesa
A defesa de Jussara Caçapava, prefeita de Cachoeirinha, e seu vice, Mano, incorporou uma nova abordagem ao receber a adesão do renomado advogado Caetano Cuervo Lo Pumo, especialista em Direito Eleitoral e ex-juiz do TRE-RS. Este reforço visa contestar a decisão que resultou na cassação dos mandatos dos dois políticos, o que está sendo debatido no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS).
O recurso, que já enfrenta um parecer contrário da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), é uma tentativa de contestar a sanção imposta pela juíza da 143ª Zona Eleitoral, Suélen Caetano de Oliveira, que inclui a cassação dos diplomas e uma multa de R$ 15 mil para cada membro da chapa, além da inelegibilidade de Jussara por oito anos. É importante ressaltar que o parecer da PRE deve ser considerado meramente opinativo, uma vez que a decisão final cabe aos desembargadores do TRE-RS, que têm a liberdade de formar sua própria convicção.
O papel de Caetano Cuervo Lo Pumo
Caetano Cuervo Lo Pumo se destaca por sua formação sólida e vasta experiência na área eleitoral. Graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e com especializações na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), como em Processo Civil e Direito Público Municipal, ele traz um grande conhecimento ao caso.

Além de sua atuação como advogado, Lo Pumo foi presidente do Instituto Gaúcho de Direito Eleitoral (IGADE) e membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep). Sua experiência como juiz do TRE-RS de maio de 2022 a maio de 2024 também agrega valor à defesa, pois ele deverá utilizar sua expertise em legislação eleitoral durante o julgamento marcado para o próximo dia 6 de agosto.
Análise da cassação de mandatos
O foco principal da defesa reside na discussão acerca do marco temporal da eleição suplementar. Os advogados argumentam que não poderiam ser requeridas observações a tais normas eleitorais que ainda não havíam sido oficialmente estabelecidas. Assim, na documentação apresentada, é destacado que os vídeos, mencionados como base da condenação, foram veiculados em 28 de janeiro e 6 de fevereiro de 2026, enquanto a resolução do TRE-RS que convocou a eleição suplementar foi apenas anunciada em 10 de fevereiro.
Diante disso, os defensores alegam que tanto a gravação da fiscalização dos serviços de limpeza urbana, quanto o vídeo que registrou o início das obras no Arroio Passinhos, ocorreram antes da implementação das novas regras. A defesa sustenta que não se pode responsabilizar os candidatos por normas que ainda não eram de conhecimento público.
Expectativas para o julgamento
O julgamento, que será conduzido pelo desembargador Francisco Thomaz Telles, tem sua data marcada para 6 de agosto. A estratégia da defesa envolve a expectativa de que o relator possa apresentar um voto divergente em relação ao parecer da Procuradoria, acatando os argumentos que foram levantados no recurso. Para tal, a defesa poderá solicitar uma sustentação oral no tribunal, a qual é considerada crucial para reforçar seus pontos.
A experiência de Lo Pumo na legislação eleitoral pode ser decisiva nesse aspecto, constituindo um elemento a mais para a argumentação da defesa durante a sessão.
Pontos controversos na legislação eleitoral
A questão do uso da máquina pública e sua relação com as candidaturas é um tema que provoca controvérsias entre a defesa e a Procuradoria Regional Eleitoral. A PRE defende que a análise sobre o uso da estrutura pública pode ser feita mesmo antes da convocação oficial das eleições, principalmente considerando que os vídeos permaneceram acessíveis nas redes sociais durante o pleito eleitoral.
Esta consideração pode abrir um leque de interpretações e implicações legais que vão muito além do caso em si, impactando a forma como as campanhas eleitorais são conduzidas e as possíveis responsabilidades dos envolvidos.
A opinião da Procuradoria Regional Eleitoral
No parecer apresentado ao TRE, a Procuradoria enfatiza que a utilização da máquina pública para favorecer uma candidatura deve ser considerada, independentemente do contexto temporal da convocação da eleição. Esse entendimento da PRE poderá influenciar a análise dos desembargadores, refletindo como atos praticados antes do formalismo da convocação das eleições ainda podem ser passíveis de responsabilização.
Impacto nas eleições futuras
O desfecho deste caso pode ter repercussões significativas para eleições futuras, particularmente sobre os limites e as permissões do uso de estruturas públicas durante as campanhas eleitorais. À medida que avançamos nesse debate, os desdobramentos têm o potencial de moldar as iniciativas em busca de um processo eleitoral mais transparente e ético.
Histórico de Jussara e Mano
Jussara Caçapava e Mano têm um histórico político que será relevante para contextualizar a análise do caso. A prefeita, que já ocupou outras funções administrativas, e Mano, que exerce um papel ativo em sua gestão, sempre lutaram por melhorias na infraestrutura e serviços na cidade de Cachoeirinha. Essa trajetória política é um aspecto que pode influenciar a percepção pública e a decisão dos desembargadores diante do processo.
O que está em jogo no tribunal?
As consequências da decisão do tribunal são significativas, não apenas para os réus, mas também para os habitantes de Cachoeirinha. A suspensão ou confirmação da cassação dos mandatos pode alterar a direção política da cidade, afetando o planejamento e as iniciativas em andamento. Não apenas a prosperidade da atual gestão está em jogo, mas também a confiança da população nas instituições e nas futuras composições políticas.
Possíveis desdobramentos do caso
Independentemente do resultado do julgamento, é provável que o caso gere discussões relevantes na sociedade e instigue novas reflexões sobre a legislação eleitoral e sua aplicação. Caso a defesa tenha sucesso, isso poderá estabelecer um precedente acerca da interpretação do marco temporal e das normas eleitorais, enquanto uma vitória da Procuradoria pode fortalecer a vigilância sobre o uso da máquina pública, garantindo maior ética nas campanhas políticas futuras.


