RS: operação contra tráfico de dentro de presídios prende 21

A operação e suas implicações

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã de quinta-feira (15), a Operação Olissipo, visando desmantelar uma organização criminosa que controla o tráfico de drogas a partir do sistema prisional. Durante a operação, foram cumpridas 40 ordens judiciais, resultando na prisão de 21 indivíduos, dos quais 13 estavam em liberdade e 11 já cumpriam pena em presídios. As autoridades conseguiram apreender dois veículos utilizados nas atividades ilegais, reforçando a atuação eficaz da polícia na luta contra o crime organizado.

A operação se concentrou em diversas cidades, incluindo Viamão, Porto Alegre, São Leopoldo e Balneário Pinhal, no Rio Grande do Sul, além de Camboriú, em Santa Catarina. Um dos presos na operação é um advogado que atuava como intermediário entre os líderes do tráfico e os membros em liberdade, apontando a complexidade da estrutura do crime organizado.

Estrutura do tráfico dentro dos presídios

A investigação a cargo da 2ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico revelou uma divisão clara de tarefas dentro da organização criminosa. Lideranças, mesmo estando em situação de prisão, continuavam a coordenar as atividades de tráfico, passando ordens sobre o abastecimento de drogas e a gestão dos pontos de venda. As atividades eram organizadas por gerentes que operavam fora das unidades prisionais, garantindo que o tráfico funcionasse de maneira eficiente e lucrativa.

Operação Olissipo

Além do tráfico de drogas, as investigações também apontaram para envolvimentos com a negociação de armas e munições, reforçando a estrutura criminosa com proteção armada para os pontos de venda de drogas. A organização é supostamente vinculada a uma facção originária do Vale dos Sinos, e a Operação Olissipo busca interromper esse ciclo de crime e domínio territorial, que afeta diretamente a segurança das comunidades locais.



Ameaças e controle sobre moradores

Um dos focos centrais da Operação Olissipo é um condomínio na Vila Augusta, em Viamão, que se tornou alvo de disputas entre facções criminosas. No ano de 2024, a organização investigada se estabeleceu como dominante nesse local, enviando comunicados aos moradores sobre uma “nova gestão” e impondo o controle da facção sobre a comunidade. Os moradores que se opuseram a essa gestão ou eram considerados aliados da facção rival enfrentaram severas consequências, incluindo expulsões e ameaças de morte.

Através da intimidação, o grupo buscava assegurar sua posição no condomínio e expandir seu domínio sobre outros territórios. O aumento das ameaças e atos violentos disparou a necessidade de intervenções mais rigorosas por parte das autoridades, e com a Operação Olissipo, pretende-se responsabilizar os envolvidos e restabelecer a segurança na região.

Investigação do advogado envolvido

O papel do advogado preso na Operação Olissipo é objeto de investigação detalhada, pois ele pode ter atuado como uma figura chave na comunicação e na articulação interna da organização criminosa. Os indícios coletados pela Polícia Civil sugerem que ele transmitia as demandas das lideranças presas e ajudava a gerenciar conflitos dentro do tráfico, uma prática que pode ir além dos limites da advocacia regular.

A intervenção da Polícia Civil nesse caso é crucial para entender a extensão da participação desse advogado no tráfico e na operação da organização criminosa. Com a prisão em Camboriú, a investigação se estende para outros membros da organização que ainda permanecem em liberdade, destacando a necessidade contínua de um esforço concentrado no combate ao crime organizado nas várias esferas da sociedade.



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